“Você não quis ver meu rosto nem pegar a minha mão. Você me deixou sozinha sentindo o frio da solidão. Você não me colocou no colo nem se emocionou com a minha primeira palavra. A minha fisionomia denuncia a sua paternidade, mas se eu disser que tive um pai me referindo a você, juro, não estarei dizendo a verdade. Porque acho que você me abandonou por medo. Você não ouviu os meus segredos, você não me ensinou a andar de bicicleta, e agora, diga-me qual é esse amor que não me completa? Diga-me como é se emocionar com dias como esse? Diga-me o que você fez para parecer especial? Diga-me o que é o amor afinal! Explica-me como foi saber gerar uma vida que você nunca se importou! Explica-me qual a emoção de saber de um ser crescendo e recusar ver seu rosto! Explica-me qual foi esse desgosto que eu o causei! “Pai”, você não merece esse nome, mesmo eu não sabendo o significado dessa palavra diante de você. “Pai”, quando eu era criança eu chorava sozinha enquanto as outras crianças faziam cartões para os pais. Você nunca existiu, sabia? Mas foi o culpado por muita agonia. Você foi meu sonho e pesadelo. Eu o amei quando não sabia o quão fraco você tinha sido. Eu o odiei porque você me abandonou. “Pai”, a gente não escolhe o que vai ser, eu também não escolhi ser uma parte de você. Agora, enquanto as famílias se reúnem e abraçam os patriarcas, eu imagino como seria ter tido um pai. Eu fico imaginando como seria ter tido alguém para me ensinar a matemática, alguém para se zangar quando eu começasse a namorar, alguém para se preocupar com as minhas saídas, alguém para me amar por toda a vida. Mas você não me deu nenhuma escolha, “Pai”, e eu queria ter visto o seu rosto pelo menos uma vez. É muito difícil ser parecida com alguém que você nunca viu. Mas agora já não resta mais nada em mim. Eu não sou culpada, “Pai”, eu sou a vítima dos seus erros! Entenda isso definitivamente! Entenda o que se passa em minha mente... Porque meu coração já não possui espaço para ódio, raiva nem saudade. Porque não posso sentir falta daquilo que eu nunca me pertenceu, e eu nunca tive o seu amor, nunca tive você. Incrível que digo que não sinto nada por você, mas você é uma ferida que se abre anualmente. Você é aquele que elimina o meu sorriso só de pensar.”
Hoje, dezessete anos já se passaram, e durante esses anos essa dor se repercute, é inexplicável, mas agora já consigo me conter! Graças ao meu avô, meu padrasto e meus tios, nunca me faltou carinho! Ao contrário de suas atitudes, eles resolveram me acolher, me dar amor e atenção. Eles me ensinaram, me levaram à lugares incríveis, eles me amaram e até hoje me amam e se orgulham de quem eu sou. “Pai”, você não merece uma gota de lágrima que eu já tenha derramado, não, você não merece. Bem melhor do que você, tenho vários outros pais e a minha mãe, e todos esses não abrem mão de me fazer feliz! ❤
Feliz dia dos pais pra quem sabe ser um!
Te amo Papai Luciano, vovô Gildo, tio Jorge, tio Jussier, Jecson! Agradeço a Deus por tudo! ❤
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